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Jônatas Gabriel: exemplo de mérito, disciplina e perseverança

16 de janeiro de 2026Ver no blog original

Na areia quente de Ponta Negra, entre guarda-sóis, turistas e o som constante do mar, um jovem de 19 anos carregava numa caixa simples mais do que docinhos para vender. Carregava um sonho e uma disciplina silenciosa, moldada em casa, na fé e no exemplo diário do trabalho duro. O nome dele é Jônatas Gabriel Marques dos Santos, potiguar, nascido em 13 de novembro de 2006, no bairro do Alecrim, em Natal, e atualmente morador do bairro Pajuçara, na zona Norte da capital potiguar.

Filho de Ranieri Rúvio, trabalhador incansável que desde 1987 atua como ambulante em Ponta Negra, faça chuva ou faça sol, Jônatas cresceu aprendendo cedo o valor da perseverança. Ao lado da mãe, Conceição, que trabalha como diarista, e da irmã Gabi, carinhosamente chamada de Bizinha, formou-se em um ambiente simples, mas rico em princípios. Criado no evangelho, guardou no coração a passagem de Êxodo 20:12, “Honra teu pai e tua mãe”, como um norte permanente. Nunca foi de dar trabalho aos pais. Sempre foi de estudar e ajudar no que fosse preciso.

O pai, Ranieri Rúvio, exemplo de força e superação para o jovem Jônatas – FOTO: Cedida

O sonho de ingressar na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx) começou a ganhar forma em novembro de 2024. Sem cursinhos pagos e sem grande estrutura, Jônatas construiu sua própria estratégia: videoaulas gratuitas no YouTube, PDFs de livros clássicos como Fundamentos da Matemática Elementar e materiais acessíveis de física. Estudava física, matemática, inglês e português com os recursos que tinha à disposição. Em janeiro, com muito esforço, o pai conseguiu adquirir o curso do Estratégia Militares, o que permitiu ampliar o foco para geografia, história, literatura, redação e química.

A rotina era rígida, quase militar antes mesmo da farda. Ele estudava das 7h às 23h todos os dias. Aos domingos, a pausa era relativa: escola dominical pela manhã, culto à noite e, à tarde, revisões. Mesmo após a aprovação, Jônatas seguiu estudando, insatisfeito com a nota alcançada, fechando editais até o dia 27 de outubro, com atenção especial às disciplinas de química e história.

Havia também um pensamento que o acompanhava como um peso constante e, paradoxalmente, como combustível. Jônatas sabia que, se não fosse aprovado naquele ano, teria de conciliar estudos e trabalho, realidade comum a muitos jovens. Essa ideia o impulsionava. Ele próprio reconhece que era duro consigo: martelava na mente que, se não estivesse estudando, estaria apenas sendo um peso para a família. “É um pensamento meio cruel, mas funcionou”, admite.

A imagem que não o deixava procrastinar era simples e direta. O pai suando sob o sol de Ponta Negra, a mãe saindo cedo para mais um dia de trabalho como diarista, enquanto ele poderia estar em casa, parado, apenas sentado no quarto. “Não tem como procrastinar com isso em mente”, resume. A consciência do sacrifício diário dos pais transformou-se em disciplina absoluta. Cada hora de estudo era, também, uma forma de respeito.

A conquista da vaga na EsPCEx significava mais do que um resultado acadêmico. Representava a porta de entrada para uma carreira construída com mérito e disciplina. A alegria, no entanto, logo deu lugar à preocupação. Exames médicos, enxoval, passagens e hospedagem para Campinas, em São Paulo, onde realizará o curso preparatório, impunham custos altos demais para a realidade da família.

Foi então que Jônatas fez o que aprendeu observando os pais durante toda a vida. Foi trabalhar. Passou a vender docinhos na praia de Ponta Negra para tentar cobrir as despesas e impedir que o sonho fosse interrompido pela falta de recursos. Na informalidade da praia, sua história começou a circular. Pessoas ouviram, se sensibilizaram e decidiram levá-la adiante.

O relato chegou ao Deputado Federal General Girão, que convidou o jovem para visitar seu gabinete. O encontro marcou um ponto de virada. Sensibilizado pela trajetória de esforço, fé e dedicação, o parlamentar passou a articular apoios. Com a união de esforços do empresário Luciano Hang, fundador das lojas Havan, do gabinete parlamentar e de diversas pessoas que se mobilizaram ao conhecer a história, foi possível garantir o suporte necessário. A iniciativa coletiva viabilizou o custeio das despesas restantes, assegurando que Jônatas pudesse seguir para Campinas e iniciar o curso na EsPCEx sem o peso financeiro que ameaçava interromper sua caminhada.

Visita de Jônatas ao gabinete do Deputado Federal General Girão – FOTO: Mateus Nácer

Para Jônatas, o gesto vai além da ajuda material. Trata-se de reconhecimento. Reconhecimento de uma juventude que estuda, trabalha, acredita e não desiste. Ele faz questão de agradecer ao deputado General Girão, ao seu gabinete, ao empresário Luciano Hang e a todas as pessoas que, de forma anônima, contribuíram para que sua história chegasse mais longe do que imaginava.

A gratidão se estende, sobretudo, à família. Ao pai Ranieri Rúvio, exemplo diário de dignidade no trabalho; à mãe Conceição; à irmã Gabi, a Bizinha; e à fé que o sustenta. “Acima de tudo, sou grato a Deus”, resume Jônatas, convicto de que não teria chegado até aqui sem essa base.

Jônatas e sua família: Ranieri Rúvio, Conceição e Gabriela – FOTO: Cedida

A história de Jônatas Gabriel não nasceu com um roteiro pronto. Nasceu no Alecrim, ganhou forma na zona Norte de Natal, foi moldada nos livros gratuitos, amadureceu nas longas jornadas de estudo, ganhou visibilidade na areia de Ponta Negra e, por meio da solidariedade de muitas mãos, encontrou o apoio necessário para seguir adiante. É o retrato de um Brasil que muitas vezes passa despercebido, mas que insiste em avançar, com dedicação, perseverança, força e vontade de vencer.

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